June 27, 2011
Stefanie Gaspar

Stefanie Gaspar - Repórter curiosa e apaixonada por música, especialmente por hip hop. Nesse Tumblr, reuni algumas das principais matérias que escrevi nos últimos dois anos, entre resenhas, reportagens, entrevistas e coberturas de shows. Para entrar em contato, e-mail para stefaniegaspar@gmail.com. Meu Twitter é @stefaniegaspar.

Entrevistas

Resenhas

Matérias e reportagens

Shows

June 27, 2011
Matéria: Arcade Fire rumo ao topo

“Ser indie” é muito fácil quando a sua banda favorita é um grupo de garagem que ninguém conhece e que facilita que você discorra sobre a sonoridade e o uso inovador de tais e tais elementos - afinal, como a banda é desconhecida, vai ser difícil que surja alguém para questionar as suas opiniões.

Mas hoje é raro falar besteira sobre alguma coisa e não ser refutado. Todo mundo já ouviu o CD da sua nova banda predileta, todo mundo sabe dessa sonoridade mega indie a qual você se refere. Não que as pessoas consigam saber de tudo - mas digamos que a cena musical dita “indie” se tornou tão previsível que as opiniões orbitam sempre em torno dos mesmos assuntos, dos mesmos artistas e dos mesmos clichês.

As últimas semanas foram uma prova irrefutável de que ser “indie” é uma noção complicada - e que não parece fazer tanto sentido hoje dentro do cenário musical e do que restou da indústria fonográfica. Três anos depois de Neon Bible, os fãs do Arcade Fire, um dos sumo-sacerdotes do indie - com suas letras dilacerantes sobre amores perdidos e desilusões permanentes -, viram sua banda do coração retornar com o aguardado The Suburbs, que chegou ao mercado com tanta expectativa que foi comparado ao clássico OK Computer, do Radiohead.

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June 27, 2011
Resenha: Kanye West - My Beautiful Dark Twisted Fantasy

O quinto álbum de estúdio de Kanye West é um rito de passagem. Quem acompanha a trajetória do rapper e produtor norte-americano sabe que sua carreira está no limiar entre o esquecimento e a posteridade - fanfarrão, egocêntrico, megalomaníaco, contraditório e imprevisível, West transformou sua imagem de artista promissor na figura caricata de um homem fora de controle que serve como motivo de chacota.

Descontrolado, o músico arrancou o microfone da delicada Taylor Swift, que havia acabado de ganhar o prêmio de Melhor Vídeo na cerimônia do VMA em 2009, interrompendo o discurso da cantora e afirmando que na verdade o prêmio pertencia a Beyoncé. Depois de muitas explicações contraditórias e bizarras, discursos sem sentido e um hiato musical de um ano, o rapper retornou aos holofotes com uma única certeza - é agora ou nunca. Ou será uma recuperação magistral, ou sua imagem cairá no esquecimento, ao lado de tantos artistas cujo ego não foi capaz de produzir excelência musical. Mas Kanye West conseguiu.

My Beautiful Dark Twisted Fantasy é tão exagerado quando seu título sugere, mas aqui a megalomania de West serviu bem a seus propósitos artísticos. O rapper conseguiu direcionar os elementos autodestrutivos de sua personalidade para a música, criando uma epópeia da vida moderna nos EUA e de sua própria existência dentro da exigente e enlouquecedora indústria do showbiz.

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June 27, 2011
Resenha: Major Lazer lança EP com remixes e inéditas e investe na variedade sonora

Você pode (e deve) até desconfiar do dancehall com alma de pancadão criado pela dupla Diplo e Switch - o Major Lazer -, mas não há como negar o fascínio despertado por estes dois fanfarrões, que conseguiram mesclar com perfeição funk carioca, dancehall, ritmos jamaicanos, reggaeton e tudo que você possa imaginar.

Um projeto feito por dois caras brancos que mandam ver na misturada a la terceiro mundo com pinta de música negra feita para ir até o chão - uma delícia e, ao mesmo tempo, uma picaretagem daquelas. É tudo junto, indo do funk mais pesado, do ska e do dub até o pop farofa e autotunado. Ao vivo a coisa é ainda mais visceral - vide a apresentação do Major Lazer no Coachella 2010, que fez a galera se descabelar e perder a vergonha de ir até o chão.

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June 27, 2011
Resenha: Kings of Leon - Come Around Sundown

A trajetória do Kings of Leon é peculiar: os irmãos Caleb, Nathan e Jared Followill, ao lado do primo Matthew, resolveram formar uma banda em 1999 em sua cidadezinha natal, Tennessee. Em 2003 lançaram seu primeiro álbum, Youth and Young Manhood, elogiado pela crítica especializada (a NME chegou a cravar que este é um dos melhores álbuns de estreia dos últimos dez anos) e que abriu caminho para o rock alternativo, sulista e influenciado pelo punk que o grupo queria fazer.

O tempo passou, e o Kings of Leon lançou mais dois álbuns: Aha Shake Heartbreak, de 2004, e Because of The Times, de 2007. Ambos foram elogiados pela crítica e venderam bem - Because of The Times, aliás, foi tão bem recebido que foi definido como a prova final de que o Kings of Leon não era fogo de palha e estava pronto para dominar o mundo.

E foi aí que o novo porta-voz do “indie-rock”, ironicamente, virou as costas para sua identidade alternativa e abraçou sem medo um dos elementos que sempre havia ficado nas sombras em seus álbuns: a farofa. Várias músicas de seus primeiros álbuns, como “On Call”, “Slow Night, So Long” e “Knocked Up” prenunciava que o Kings of Leon tinha tudo para apostar no clichê (melodias chorosas com a mesma base, guitarras burocráticas e vocal sempre no mesmo tom), mas um toque de malícia, de cinismo e uma sonoridade mais suja evitavam que o grupo se transformasse em mais uma bandinha repetitiva que só sonha em atingir as paradas musicais.

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June 27, 2011
Resenha: Black Keys - Brothers

“This is an album by Black Keys. The name of this album is Brothers”. Não é toda banda que pode se dar ao luxo de colocar esse anúncio nada discreto na capa de seu novo álbum.

Mas o Black Keys já tem estrada de sobra - Brothers é o sexto álbum do duo formado por Dan Auerbach e Patrick Carney, conhecidos pela sonoridade blues-rock que adotaram ao longo de sua carreira de maneira competente e equilibrada, de forma a permanecer com crédito no circuito alternativo e ao mesmo tempo atingir o grande público sem grandes conflitos.

Queridinhos dos amantes do indie rock, o Black Keys conseguiu conquistar um espaço gigantesco no mainstream, com suas músicas chegando a todos os lugares possíveis - faixas em filmes como Escola do Rock (“Set You Free”), Entre o Céu e o Inferno (“When The Lights Go Out”) e a cinebiografia de Bob Dylan, Não Estou Lá (“The Wicked Messenger”); em games, como NHL 08 (“Just Got to Be”), Grand Theft Auto IV e NASCAR 09 (“Strange Times”); e em séries de TV, como Hung (“I’ll Be Your Man”), Eastbound and Down (“Your Touch”), Big Love (“Lies”) e One Tree Hill (“So He Won’t Break”).

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June 27, 2011
Resenha: The Dead Weather - Sea of Cowards

O The Dead Weather tinha tudo para ser “apenas mais um” dos muitos projetos de Jack White. Embora o músico tenha um toque de Midas quando o assunto é a sua carreira, até mesmo um compositor e instrumentalista tão talentoso como White pode tropeçar, como aconteceu com o Racounteurs, banda que nunca foi além do rótulo “grupo do vocalista do White Stripes”.

Mas o The Dead Weather vai muito além de qualquer expectativa. O workaholic intrumentista deixou de lado o clima ligeiramente comportado do White Stripes e do The Racounteurs para se entregar ao blues bem mais sujo, desregrado, agressivo e sensual que sempre foi uma de suas maiores influências - é esse clima de entrega o símbolo do segundo álbum do The Dead Weather, Sea of Cowards - o primeiro, Horehound, o rraurl resenhou na época do lançamento.

Formado por Alison Mosshart, do The Kills, Dean Fertita, do Queens of The Stone e Jack Lawrence, do The Racounteurs, o The Dead Weather é um projeto arriscado. White apostou em um retorno à agressividade do blues sem muitas concessões - e o primeiro álbum da banda trouxe um clima de experimentação em torno de um gênero que quase parece caricato. Deu certo, mas seu sucessor traz mais sofisticação e produção para os vocais sujos de Alison Mosshart e a bateria violenta de White.

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June 27, 2011
Resenha: Devo - Something For Everybody

Quando uma (boa) banda demora cinco anos para lançar um novo álbum, a sensação é de ansiedade. Quando a demora é de, digamos, dez anos, já começamos a nos preocupar. A partir desse período de tempo, a tendência é simplesmente parar de esperar - e foi isso que o Devo fez com seus fãs, demorando exatos 20 anos para lançar seu nono álbum de estúdio, Something For Everybody.

Todo mundo já havia deixado de aguardar - afinal, o Devo, um ícone do new-wave, há muito tempo não fazia um álbum verdadeiramente empolgante e digno de sua conhecida mistura de sonoridades punk e ritmos feitos para a pista de dança. Além disso, as críticas ácidas e irônicas contra o mundo do consumo, que no início da carreira da banda, em meados de 1970, eram geniais, hoje correm o risco de se tornar mero lugar comum.

Por sorte, o Devo - que esteve no Brasil em 2007 no Festival Planeta Terra e está no lineup do norte-americano Lollapalooza - provou que, sim, valeu a pena esperar 20 anos. Esse período foi interrompido apenas e brevemente pelo lançamento de “Work It”, para um comercial da Dell, também em 2007.

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June 27, 2011
Reportagem: Festivais no Brasil: dilemas, dificuldades e o que pode melhorar

O segundo semestre de 2010 traz ao Brasil uma avalanche de grandes shows internacionais (veja aqui a nossa lista atualizada), além dos já consagrados festivais e de pequenas atrações preciosas para os fãs que acompanham a imprensa musical gringa.

E é exatamente no momento de conferir a escalação dos artistas que chegam ao Brasil que os fãs se perguntam quais os critérios para a escolha destas atrações - afinal, por que determinado artista retorna ao brasil depois de pouco tempo? E por que aquela banda incrível elogiadíssima pela crítica e sucesso de público na gringa não agendou nenhuma data?

Compreender os critérios da curadoria de grandes festivais é mesmo tarefa difícil: muitas vezes o line-up repete atrações já vistas pelo público brasileiro, apostando apenas em nomes consagrados e que garantem retorno financeiro, ou resolve apostar em nomes teoricamente “novos” que significam muito pouco para o público ligado em música.

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June 27, 2011
Festa: Voodoostock leva festa Voodoohop para fora da cidade e aposta em clima “hippie”

Todo mundo ligado em música e no circuito de festas de São Paulo já está cansado de saber da existência da Voodoohop, festa divulgada pelo esquema de boca-a-boca e que quase sempre acontece em algum casarão do centro velho de SP.

A ideia é simples: só as pessoas cadastradas no mailing do evento ficam sabendo quando e onde ela acontece, em uma tentativa de trazer alguma imprevisibilidade para a noite de uma cidade tradicionalmente permeada por regras e pelo politicamente correto. A festa acontece sempre longe de residências e sem esquema de flyers ou comunicados oficiais - a graça é aparecer por lá de última hora, encontrar os amigos e aproveitar a noite para beber, conversar e ouvir os DJs que se apresentam até altas horas da madrugada.

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